Dezembro Vermelho: prevenção e combate ao HIV, chega de Preconceito!

Por: Dra. Paola Alexandria Magalhães / PhD em Ciências Programa Pós-graduação Enfermagem em Saúde Pública – USP

Quando falamos de HIV/AIDS, nos deparamos com dúvidas e muitas vezes ficamos confusos no que se refere à “o que eu tenho que saber? Por que tenho que me preocupar? Por que o preconceito ainda impera?” 

Como cita o psicólogo e sexólogo Mahmoud Baydoun, em suas redes sociais “vivemos em uma sociedade que sempre associou homossexualidade à AIDS e acabamos acreditando nisso. Você sabia que o primeiro nome dado para AIDS foi GRID (Gay Related Immunodeficiency)?! Por mais que pesquisas científicas e os dados estatísticos mostrem o contrário, o pensamento de que HIV/AIDS é uma praga gay e uma ‘ameaça’ só para homossexuais continua vigente. Não podemos negar que o preconceito se faz presente E temos que combate-lo.

Desta forma, ao conversar sobre esta temática com colegas de trabalho e amigos, questionei a mim mesma sobre o assunto e refleti sobre a importância de escrever acerca da temática a fim de informar a sociedade e colaborar para o combate ao HIV, e ao preconceito. Notei que o preconceito ainda está arraigado na nossa sociedade, no entanto pude observar que o preconceito está associado à desinformação. Para combater o preconceito, um dos caminhos primordiais é o conhecimento acerca da temática. 

O Dezembro Vermelho apresenta o objetivo de chamar atenção para as medidas de prevenção, assistência, proteção e promoção dos direitos das pessoas infectadas com o HIV. O Ministério da Saúde e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) traz que a cada 15 minutos uma pessoa se infecta com o vírus no Brasil e sete pessoas morrem por dia em São Paulo.

HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Este vírus é causador da aids, atacando o sistema imunológico, sistema esse que defende nosso organismo de doenças.  Este vírus atinge principalmente os linfócitos T CD4+; ele consegue infiltrar-se nesta célula alterando o DNA, assim a célula passa a reproduzir cópias do HIV. Após multiplicar-se, tais linfócitos são rompidos e as cópias do vírus HIV são liberadas para continuar a infecção. Este vírus apresenta período de incubação prolongado antes do surgimento dos sintomas da doença, infecção das células do sangue e do sistema nervoso e supressão do sistema imune – de acordo com o Ministério da Saúde. Já a AIDS, é uma doença infecciosa desencadeada pelo HIV. 

É importante salientar que ter HIV, não é o mesmo que ter AIDS. Muitas pessoas que apresentam o vírus (denominadas soropositivas) podem viver anos e não apresentar sintomas ou desenvolver a doença. No entanto, podem transmitir o vírus a outras pessoas por meio de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Isto ocorre quando medidas de proteção não são realizadas. 

Abaixo apresentam-se algumas formas de contágio e não contágio, segundo o Ministério da Saúde:

Assim se pega: sexo vaginal sem camisinha; sexo anal sem camisinha; sexo oral sem camisinha; uso de seringa por mais de uma pessoa; transfusão de sangue contaminado; transmissão vertical (da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação); Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

Assim não se pega: sexo desde que se use corretamente a camisinha; masturbação a dois; beijo no rosto ou na boca; suor e lágrima; picada de inseto; aperto de mão ou abraço; sabonete/toalha/lençóis; talheres/copos; assento de ônibus; piscina; banheiro; doação de sangue; pelo ar.

Ao conhecer a sorologia de maneira mais rápida possível, a expectativa de vida de uma pessoa que contraiu o vírus aumenta significativamente. Vale ressaltar que ao fazer exames de modo regular, buscar tratamento no tempo certo e seguir as recomendações da equipe de saúde, proporciona-se um ganho em qualidade de vida.

O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. A infecção pelo HIV pode ser detectada em, pelo menos, 30 dias a contar da situação de risco. O exame (o laboratorial ou o teste rápido) busca por anticorpos contra o HIV no material coletado. No Brasil, há exames laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos. Tais testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, os exames podem ser feitos de forma anônima, sendo possível saber onde fazer o teste pelo Disque Saúde (136).

O tratamento consiste no uso regular de antirretrovirais (AVR), que atuam inibindo a multiplicação do HIV no organismo o que, consequentemente, evita o enfraquecimento do sistema imunológico. Atualmente, essa infecção tornou-se uma condição crônica controlável, devido aos medicamentos.

Além disso, ao fazer o tratamento adequadamente, a carga viral da pessoa com HIV fica indetectável, ou seja, a transmissibilidade é quase nula. No entanto, deve-se fazer os exames regularmente e essa carga viral indetectável deve permanecer por mais de 6 meses para que a transmissibilidade seja considerada nula. É importante salientar que deve-se fazer uso de preservativos durante as relações sexuais independente de a pessoa ter ou não o vírus.

O uso regular dos ARV é fundamental para o controle da doença e para prevenção da evolução para a AIDS. Assim, uma boa adesão pode trazer benefícios significativos aos indivíduos, como aumento da disposição, da energia e do apetite, ampliação da expectativa de vida e o não desenvolvimento de doenças oportunistas. O Brasil distribui gratuitamente um conjunto de medicações pelo SUS (Sistema Único de Saúde), desde 1996 – todos os medicamentos antirretrovirais e, desde 2013, o SUS garante tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente da carga viral.

Há também a terapia de PEP (Profilaxia Pós-Exposição) no qual medicamentos antirretrovirais podem ser usados por pessoas após terem tido um possível contato com o vírus HIV em situações como violência sexual; relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com rompimento da camisinha), acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou em contato direto com material biológico). Para funcionar, a PEP deve ser iniciada logo após a exposição de risco, em até 72 horas; e deve ser tomada por 28 dias.

Já a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) é o uso preventivo de medicamentos antes da exposição ao vírus do HIV, reduzindo a probabilidade da pessoa se infectar com vírus. Vale ressaltar que a PrEP é indicada para as populações estão expostas a maior risco de contrair o vírus HIV no país: gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH); pessoas trans; trabalhadores/as do sexo e parcerias sorodiferentes (quando uma pessoa está infectada pelo HIV e a outra não)

Infelizmente, ainda reina o preconceito acerca de pessoas com HIV/AIDS. A sociedade, e as pessoas soropositivas, devem informar-se sobre a transmissibilidade, diagnóstico e tratamento afim de adquirir conhecimento, visto que apenas o conhecimento sobre HIV/AIDS que poderão combater o preconceito, prevenir a doença e promover a saúde.

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