Neuropsicóloga dá dicas de acolhimento e explica os principais tipos, sintomas e desafios para lidar no dia a dia
Ser uma pessoa neurodivergente significa: ser um alguém que processa informações e vive o mundo de maneira diferente do padrão geralmente chamado de neurotípico, termo esse que se refere ao funcionamento neurológico que segue os padrões considerados “comuns” ou “normais” na sociedade, sem a presença de condições específicas.
Já os neurodivergentes podem apresentar habilidades e pontos de vista singulares, que são valiosos em variados contexto, mas ao mesmo tempo, elas podem encontrar dificuldades em aspectos como comunicação, relações sociais, regulação sensorial ou organização.
A neuropsicóloga Camila Maders, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Unopar, explica que os diagnósticos mais comuns de neurodivergência incluem:
Transtorno do Espectro Autista (TEA): caracteriza-se por dificuldades persistentes na comunicação e na interação social, associadas à presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. As manifestações variam amplamente entre os indivíduos, podendo incluir interesses intensos e específicos, além de habilidades significativamente desenvolvidas em determinadas áreas, como memória, raciocínio lógico, música, artes ou tecnologia.
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): caracteriza-se por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento ou no desenvolvimento do indivíduo. Suas manifestações podem incluir dificuldades para manter a atenção, organizar atividades, controlar impulsos, regular o nível de atividade e concluir tarefas. Os sintomas variam entre as pessoas, podendo predominar a desatenção, a hiperatividade/impulsividade ou a combinação de ambas, com impactos em diferentes contextos, como o acadêmico, o profissional e o social.
Dislexia: caracterizado por dificuldades persistentes no reconhecimento preciso e/ou fluente de palavras, na decodificação, na ortografia e na leitura. Essas dificuldades podem repercutir na compreensão de textos e no desempenho acadêmico, embora não estejam relacionadas ao nível de inteligência ou à falta de oportunidades educacionais. Pessoas com dislexia podem apresentar habilidades cognitivas, verbais e criativas preservadas ou desenvolvidas, com potencial para alcançar desempenho satisfatório em diferentes áreas quando recebem estratégias de ensino e recursos de apoio adequados.;
Síndrome de Tourette: caracterizado pela presença de múltiplos tiques motores e de, pelo menos, um tique vocal, que persistem por mais de um ano, com início antes dos 18 anos de idade. Os tiques podem variar em frequência, intensidade e complexidade, incluindo movimentos simples, como piscar os olhos ou encolher os ombros, e movimentos ou vocalizações mais complexos. Em alguns casos, essas manifestações podem interferir nas atividades cotidianas, no desempenho acadêmico ou profissional, nas relações sociais e no bem-estar emocional. Entretanto, a intensidade dos sintomas é bastante variável, e muitas pessoas com Síndrome de Tourette desenvolvem estratégias eficazes para lidar com os tiques e manter uma boa qualidade de vida.
Camila Maders, ressalta que é fundamental reconhecer e respeitar a diversidade neurodivergente, além de promover ambientes inclusivos que possibilitem a cada pessoa prosperar e contribuir conforme suas capacidades e necessidades individuais.
“Pessoas neurodivergentes podem ter um maior risco de enfrentar problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão ou estresse, devido aos desafios associados à sua condição e às dificuldades para se adaptar às expectativas sociais. Dessa forma, a falta de compreensão e aceitação da neurodiversidade pode levar à estigmatização e discriminação, o que pode afetar a autoestima e o bem-estar emocional dessas pessoas. Compreender e estar aberto são comportamentos iniciais essenciais nesse contexto”, destaca Camila.
Por fim, a especialista dá 10 dicas sobre como um neurotípico pode lidar com um neurodivergente. Confira:
Informe-se e aprenda continuamente:
- Busque entender diferentes condições e formas de neurodivergência (por exemplo, autismo, TDAH, dislexia). Conhecimento reduz estigma e melhora a qualidade do acolhimento;
Pergunte e escute com atenção:
- Pergunte à pessoa sobre suas preferências e necessidades, em vez de presumir. Ouça ativamente e respeite o que ela comunica;
Use comunicação clara e direta:
- Prefira instruções objetivas, linguagem simples e exemplos concretos. Sempre que necessário, repita ou reformule com calma;
Ofereça opções de comunicação:
- Permita que a pessoa escolha como prefere se comunicar: verbal, escrita, mensagens, imagens, ou suporte por tempo por escrito;
Adapte o ambiente sensorial:
- Reduza ruídos, luzes fortes ou cheiros intensos quando possível. Ofereça espaços mais tranquilos ou fones de ouvido para diminuir sobrecarga sensorial;
Seja previsível e explique mudanças:
- Avise com antecedência sobre rotinas, horários ou mudanças. Use cronogramas visuais ou agendas para promover segurança e reduzir ansiedade;
Respeite ritmos e pausas:
- Permita pausas, mais tempo para processar informações e respostas. Evite forçar interações sociais rápidas ou prolongadas;
Foque nas habilidades e fortalezas:
- Valorize as competências da pessoa e ofereça oportunidades para contribuir de acordo com seus pontos fortes, em vez de centrar-se só nas dificuldades;
Ajuste expectativas:
- Adapte tarefas, prazos ou métodos quando necessário, fornecendo recursos que facilitem desempenho sem reduzir o respeito pela pessoa;
Promova um ambiente sem julgamentos:
- Evite rótulos pejorativos e corrija microagressões. Incentive a empatia, privacidade e confidencialidade para que a pessoa se sinta segura ao pedir apoio.
Publicado 31/07/2026

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